Simeão Borges

 



Simeão Borges

Biografia — Simeão Borges 

Simeão Borges nasceu em uma aldeia próxima ao Recôncavo Baiano, no final do século XVII, filho de um ex-escravizado e de uma mulher de origem indígena que vivia sob os preceitos do matriarcado ancestral. Cresceu ouvindo histórias sobre os quilombos, sobre a dor da escravidão e também sobre o poder da união entre os povos. 

Desde pequeno, teve uma educação pouco comum para negros livres na época: aprendeu a ler com um padre progressista da região e foi iniciado ainda jovem nas tradições de matriz africana que sua mãe preservava em segredo. Homem de poucas palavras, mas de gestos firmes, Simeão aprendeu a caminhar entre dois mundos: o da resistência espiritual e o da estratégia militar. 

Ainda na juventude, foi convidado a integrar um agrupamento autônomo de negros livres que, aos poucos, passou a se organizar em torno da defesa de quilombos menores ameaçados. Ao contrário do que se esperava de um homem livre naquela época — viver isolado, calado e com medo —, Simeão optou por se tornar um elo entre as comunidades do interior e os quilombos maiores como Palmares.

 Casou-se com uma mulher chamada Dandá, filha de um líder quilombola da Serra do Macaco, e juntos tiveram três filhos. A casa deles funcionava como ponto de apoio, onde se costuravam mantos de guerra, preparavam alimentos medicinais e se compartilhavam estratégias. Era, ao mesmo tempo, lar e trincheira. 

Simeão nunca permitiu que os filhos fossem alfabetizados apenas pela igreja — ensinava-os também os mapas, os ventos, o som do mato e o silêncio dos espiões. Por sua habilidade com o arco e sua liderança natural, foi nomeado “Capitão de resistência” por outros quilombolas, ainda que nunca tivesse recebido uma patente oficial.

 Sua fama cresceu especialmente após emboscar um destacamento colonial em emboscadas silenciosas, sempre poupando os soldados que se rendiam. Para ele, a liberdade era uma construção coletiva, e a vingança nunca deveria ser a última palavra. 

Simeão Borges morreu em combate, mas sua memória foi preservada oralmente por gerações em comunidades quilombolas do interior baiano. Para muitos, foi o elo perdido entre Palmares e os quilombos do futuro: aquele que provou que a liberdade podia ser organizada como uma ciência da floresta e do povo.

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