Simeão Borges
📚 Notas Didáticas
– Análise da Canção "Capitão Invisível"
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Verso 1 “Nasceu livre mas cercado, Entre o mato e o açoite calado. Filho de vento e raiz, Negro que nunca fugiu da cicatriz.”
🔎 Análise: Introduz a contradição de ser livre num sistema que não reconhece a liberdade negra. O "vento e raiz" simboliza sua ancestralidade indígena e africana. A "cicatriz" revela que a dor coletiva também marca o corpo do livre.
📚 BNCC sugerido: (EF09HI07) – Analisar a resistência de populações negras e indígenas no Brasil.
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Verso 2 “Com Dandá fez seu quilombo, Casa de reza, manto e rombo. Criou filho com mapa e tambor, Leu os sinais do tempo e da dor.”
🔎 Análise: Apresenta o lar como núcleo de resistência e formação. A educação dos filhos inclui geografia da fuga ("mapa") e espiritualidade ("tambor").
📚 BNCC: (EF69AR23) – Relacionar manifestações artísticas com suas funções sociais e simbólicas.
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Coro “Capitão invisível, guerreiro da noite, Semeou liberdade no rastro do açoite. Não tem retrato, não tem prisão, Só floresta, flecha e oração.”
🔎 Análise: O refrão reforça o mito oral: Simeão é lenda viva, invisível nos documentos, mas presente nas memórias. A ausência de “retrato” mostra a invisibilização histórica. “Floresta, flecha e oração” são suas armas sagradas.
📚 BNCC: (EF09HI08) – Compreender os mecanismos de apagamento de figuras negras na história oficial.
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Verso 3 “Libertou gente da corrente, Sabotou navio e sargento. Não buscava medalha ou glória, Queria o povo dono da história.”
🔎 Análise: Verso direto sobre ações de sabotagem e libertação. Mostra o altruísmo e consciência política de Simeão: liberdade como bem coletivo.
📚 BNCC: (EF69HI12) – Reconhecer sujeitos históricos e suas ações nos movimentos de resistência.
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Verso 4 “Entre palmeiras e barrancos, Fez trincheira com os tamancos. Não matou quem se rendeu, Porque a liberdade nunca se vendeu.”
🔎 Análise: Poética visual de combate. A ética do guerreiro é destacada: mesmo em guerra, ele respeita a vida de quem se rende.
📚 BNCC: (EF89EF14) – Respeitar e valorizar o outro, inclusive em conflitos simbólicos ou reais.
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Ponte
“Não teve nome nas cartas da corte, Mas seu passo ecoa mais forte. Capitão sem patente ou brasão, Seu exército era o coração.”
🔎 Análise: Ressalta a ausência nos registros oficiais e sua presença no povo. A força de Simeão vem da legitimidade comunitária, não da institucional.
📚 BNCC: (EF09HI10) – Identificar silêncios e vozes apagadas na construção da memória social.
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Refrão Final
“Capitão invisível, chama no chão, Palavra que corre de mão em mão. Simeão, voz do quilombo ancestral, Presente em cada batalha real.”
🔎 Análise: Fecho poderoso. A canção propõe Simeão como arquétipo do guerreiro coletivo, herança que permanece em cada ato de resistência.
📚 BNCC: (EF69LP24) – Interpretar metáforas e imagens simbólicas em textos literários e musicais.
📚 BNCC por seções da canção "Capitão Invisível": Trecho Código BNCC Competência
Verso 1 EF09HI07 Analisar a resistência de populações negras e indígenas no Brasil.
Verso 2 EF69AR23 Relacionar manifestações artísticas com suas funções sociais e simbólicas.
Coro EF09HI08 Compreender os mecanismos de apagamento de figuras negras na história oficial.
Verso 3 EF69HI12 Reconhecer sujeitos históricos e suas ações nos movimentos de resistência.
Verso 4 EF89EF14 Respeitar e valorizar o outro, inclusive em conflitos simbólicos ou reais.
Ponte EF09HI10 Identificar silêncios e vozes apagadas na construção da memória social.
Refrão final EF69LP24 Interpretar metáforas e imagens simbólicas em textos literários e musicais.
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📘 Sugerências pedagógicas interdisciplinares:
• História + Geografia → EF09HI07, EF09HI10
• Artes → EF69AR23
• Educação Física / Ética → EF89EF14
• Língua Portuguesa → EF69LP24
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📘 Sugestão Pedagógica:
• Atividade em sala: Mapear outros heróis negros "invisíveis" da história regional/local.
• Produção textual: Escrever uma carta fictícia de Simeão para seus filhos sobre o que é liberdade.
• Integração com artes: Criar máscaras ou mantos inspirados na estética da resistência quilombola.
Guia de Estudos: Simeão Borges e a Resistência Quilombola
Este guia foi desenvolvido para aprofundar a compreensão sobre a vida, a luta e o legado de Simeão Borges, uma figura central na resistência afro-brasileira, conforme apresentado nas fontes do AfroEduca Sounds.
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Questionário de Resposta Curta
Instruções: Responda a cada uma das seguintes perguntas com duas a três frases, baseando-se exclusivamente no contexto fornecido.
- Quem foi Simeão Borges e qual era a sua origem familiar?
- Como a educação de Simeão Borges na infância influenciou sua trajetória como líder?
- Descreva o papel de Dandá e da casa da família na organização da resistência.
- O que era o "Corpo Invisível de Defesa Negra" e qual era o objetivo dessa organização?
- Quais eram as principais táticas de sabotagem utilizadas por Simeão e seu grupo contra as forças coloniais?
- Por que Simeão Borges recebeu os apelidos de "Capitão de resistência" e "o capitão invisível"?
- Explique a filosofia de combate de Simeão, especialmente em relação aos inimigos que se rendiam.
- Qual evento em 1742 intensificou a perseguição a Simeão pelas tropas portuguesas?
- Como a memória de Simeão Borges foi preservada após sua morte, já que ele não consta nos registros oficiais?
- Qual é a relação entre o AfroEduca Sounds e o AfroEduca Podcast, de acordo com o material?
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Gabarito do Questionário
- Quem foi Simeão Borges e qual era a sua origem familiar? Simeão Borges foi uma liderança negra de resistência no Brasil colonial do século XVIII. Ele nasceu no final do século XVII, em uma aldeia próxima ao Recôncavo Baiano, filho de um ex-escravizado e de uma mulher de origem indígena que seguia preceitos do matriarcado ancestral.
- Como a educação de Simeão Borges na infância influenciou sua trajetória como líder? Sua educação foi atípica, pois ele aprendeu a ler com um padre progressista e foi iniciado nas tradições de matriz africana por sua mãe. Essa formação dupla permitiu que ele transitasse entre a resistência espiritual e a estratégia militar, fundamentais para sua liderança.
- Descreva o papel de Dandá e da casa da família na organização da resistência. Dandá, esposa de Simeão e filha de um líder quilombola, foi sua principal aliada. A casa deles funcionava como um ponto de apoio estratégico, servindo ao mesmo tempo como lar e trincheira, onde se costuravam mantos de guerra, preparavam alimentos medicinais e compartilhavam estratégias.
- O que era o "Corpo Invisível de Defesa Negra" e qual era o objetivo dessa organização? O "Corpo Invisível de Defesa Negra" era uma frente autônoma de defesa formada na década de 1730 por negros livres, indígenas e líderes de quilombos. Seu objetivo era defender quilombos menores ameaçados, e o nome refletia tanto sua capacidade de camuflagem na mata quanto sua ausência nos registros oficiais.
- Quais eram as principais táticas de sabotagem utilizadas por Simeão e seu grupo contra as forças coloniais? As táticas eram precisas e focadas em enfraquecer o sistema colonial sem deixar rastros. Incluíam ataques noturnos para libertar prisioneiros, interceptação de comboios de mantimentos e a destruição de arquivos de cobrança de impostos.
- Por que Simeão Borges recebeu os apelidos de "Capitão de resistência" e "o capitão invisível"? Ele foi chamado de "Capitão de resistência" por outros quilombolas devido à sua liderança natural e habilidade com o arco, apesar de não ter uma patente oficial. O apelido "o capitão invisível" foi dado pelos soldados coloniais, pois suas ações de sabotagem eram eficazes e ele nunca era capturado, existindo para eles apenas como uma lenda.
- Explique a filosofia de combate de Simeão, especialmente em relação aos inimigos que se rendiam. Simeão acreditava que a liberdade era uma construção coletiva e que a vingança não deveria ser o objetivo final. Por isso, em suas emboscadas, ele sempre poupava a vida dos soldados que se rendiam, demonstrando uma ética de guerra focada na libertação e não na aniquilação.
- Qual evento em 1742 intensificou a perseguição a Simeão pelas tropas portuguesas? Em 1742, Simeão liderou uma emboscada que resultou na libertação de 17 escravizados que estavam sendo transportados para o Porto de Salvador. Após essa ação audaciosa, ele se tornou um alvo direto das tropas portuguesas, e uma alta recompensa foi oferecida por sua captura.
- Como a memória de Simeão Borges foi preservada após sua morte, já que ele não consta nos registros oficiais? Sua história foi preservada exclusivamente pela tradição oral, passada de geração em geração em comunidades quilombolas do interior da Bahia. Seu nome se tornou um "sussurro de força" e um exemplo de autonomia, reverenciado por líderes de terreiros e militantes de movimentos negros.
- Qual é a relação entre o AfroEduca Sounds e o AfroEduca Podcast, de acordo com o material? O AfroEduca Podcast é uma extensão do canal AfroEduca Sounds. O podcast utiliza as canções do canal como ponto de partida para aprofundar as histórias de resistência afro-brasileira, oferecendo reflexões, contexto histórico e caminhos pedagógicos.
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Questões para Dissertação
Instruções: Reflita sobre os temas a seguir e prepare argumentos para uma resposta em formato de dissertação. Não é necessário fornecer respostas escritas.
- Discuta como a trajetória de Simeão Borges, um homem negro livre que lutou pela liberdade coletiva, desafia a narrativa simplificada da resistência à escravidão como sendo feita apenas por escravizados fugitivos.
- Analise a importância da "invisibilidade" na história de Simeão Borges, tanto como estratégia de luta (Corpo Invisível, Capitão Invisível) quanto como resultado do apagamento histórico promovido pelos registros oficiais.
- Com base na canção "Capitão Invisível" e nas notas didáticas, explique como a arte pode ser uma ferramenta poderosa para a preservação da memória e para a educação sobre figuras históricas apagadas.
- Compare e contraste as diferentes "armas" de Simeão Borges: o arco e flecha, a estratégia militar, a espiritualidade, a educação dos filhos e a construção de alianças. Como esses elementos se combinaram em sua luta?
- A frase final do texto histórico pergunta: "o que é liberdade, senão uma ciência cultivada no mato, no corpo e na coragem?". Discuta o significado dessa definição de liberdade no contexto da vida e do legado de Simeão Borges.
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Glossário de Termos-Chave
Termo | Definição |
AfroEduca Podcast | Extensão do canal AfroEduca Sounds que transforma histórias de resistência afro-brasileira em conhecimento, usando as canções como inspiração. |
AfroEduca Sounds | Projeto (canal) que apresenta a história de Simeão Borges e a canção "Capitão Invisível". |
BNCC | Base Nacional Comum Curricular. Citada nas notas didáticas para associar o conteúdo da canção a competências e habilidades educacionais específicas. |
Capitão de resistência | Título não oficial dado a Simeão Borges por outros quilombolas, em reconhecimento à sua habilidade com o arco e sua liderança natural. |
Capitão Invisível | Apelido dado a Simeão pelos soldados coloniais, devido à sua capacidade de realizar ataques e sabotagens sem ser capturado ou identificado. |
Corpo Invisível de Defesa Negra | Frente autônoma de defesa formada nos anos 1730 por negros livres, indígenas e quilombolas para proteger comunidades ameaçadas. O nome alude à sua tática de camuflagem e à sua ausência nos registros oficiais. |
Dandá | Esposa de Simeão Borges, filha de um líder quilombola da Serra do Macaco. A casa do casal era um ponto de apoio central para a resistência. |
Palmares | Um dos maiores e mais conhecidos quilombos da história do Brasil. Simeão Borges é descrito como um elo entre Palmares (já destruído em sua época) e os quilombos do futuro. |
Quilombo | Comunidades formadas por escravizados fugitivos, negros livres e outros grupos marginalizados, que serviam como focos de resistência ao sistema escravista. |
Recôncavo Baiano | Região geográfica na Bahia onde Simeão Borges nasceu e atuou, caracterizada por sua importância econômica e pela forte presença de populações negras e quilombolas. |
Simeão Borges | Homem negro livre do século XVIII, filho de um ex-escravizado e de uma indígena, que se tornou um líder estratégico na defesa de quilombos na Bahia. |
Plano de Aula: Simeão Borges – O Capitão Invisível e a História que se Canta
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1. Apresentação Geral do Plano
Este plano de aula propõe uma imersão na história de Simeão Borges, uma figura central para a compreensão dos quilombos que surgiram como "fogueiras acesas na noite do regime escravista". Ao resgatar um herói não-canônico, cuja memória foi preservada pela oralidade, este plano oferece uma ferramenta essencial para entender a resistência como um ato de profunda organização comunitária e uma "ciência cultivada no mato, no corpo e na coragem". A proposta utiliza uma abordagem multimídia para construir uma visão mais complexa, crítica e inclusiva da história do Brasil, valorizando saberes que subvertem os registros oficiais.
Componente | Descrição |
Tema Central | A história e resistência de Simeão Borges como estudo de caso sobre a luta quilombola e as fontes históricas não-oficiais. |
Público-Alvo | Estudantes do Ensino Fundamental – Anos Finais (6º ao 9º ano). |
Componentes Curriculares | História, com forte interface com Língua Portuguesa e Artes. |
Duração Estimada | 3 a 4 aulas de 50 minutos. |
A seguir, detalhamos os objetivos de aprendizagem específicos, alinhados às competências e habilidades previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
2. Objetivos de Aprendizagem (Habilidades da BNCC)
Este plano de aula foi desenhado para desenvolver habilidades específicas da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), focando na análise crítica de fontes, no reconhecimento de diferentes sujeitos históricos e na valorização de diversas manifestações culturais como veículos de memória e conhecimento. Ao explorar a trajetória de Simeão Borges, os estudantes serão estimulados a questionar narrativas hegemônicas e a compreender a complexidade dos processos de resistência.
As principais habilidades a serem desenvolvidas são:
EF09HI07: Analisar a resistência de populações negras e indígenas no Brasil, utilizando a trajetória de Simeão e do "Corpo Invisível de Defesa Negra" como exemplo concreto de organização e luta para além da fuga, durante a leitura e discussão da Etapa 5.2.EF69AR23: Relacionar manifestações artísticas, como a canção "Capitão Invisível", com suas funções sociais e simbólicas, compreendendo como a música serve para preservar a memória e fortalecer a identidade, a partir da análise do Verso 2 na tabela da Etapa 5.3.EF09HI08: Compreender os mecanismos de apagamento de figuras negras na história oficial, discutindo por que um líder como Simeão Borges, sem "retrato" ou registro oficial, permaneceu "invisível" para a historiografia, especialmente na análise do Coro na Etapa 5.3.EF69HI12: Reconhecer sujeitos históricos e suas ações nos movimentos de resistência, identificando Simeão Borges não como uma figura isolada, mas como um líder articulador de uma rede de resistência coletiva, como demonstrado na análise do Verso 3 na Etapa 5.3.EF89EF14: Respeitar e valorizar o outro, inclusive em conflitos simbólicos ou reais, analisando a ética de guerreiro de Simeão, que poupava a vida dos que se rendiam, conforme destacado na análise do Verso 4 na Etapa 5.3.EF09HI10: Identificar silêncios e vozes apagadas na construção da memória social, contrastando a ausência de Simeão nos "documentos da corte" com a força de sua presença na memória oral quilombola, tema central da "Ponte" na tabela da Etapa 5.3.EF69LP24: Interpretar metáforas e imagens simbólicas em textos literários e musicais, analisando como a letra da canção constrói a imagem arquetípica de Simeão como uma "chama no chão" e "voz do quilombo ancestral", especialmente durante a análise guiada pela tabela na Etapa 5.3.
Estes objetivos se fundamentam em conceitos-chave que serão a base para a construção do conhecimento em sala de aula.
3. Conteúdos e Conceitos-Chave
A análise da trajetória de Simeão Borges exige o domínio de conceitos que subvertem a historiografia tradicional. Definir estes termos é o primeiro passo para equipar os estudantes com as ferramentas críticas necessárias para identificar apagamentos históricos e valorizar formas alternativas de saber.
- Resistência Quilombola Estratégica Refere-se a uma forma de luta altamente organizada que transcende a simples fuga. Manifesta-se na criação do "Corpo Invisível de Defesa Negra", uma frente autônoma que utilizava táticas precisas, como ataques noturnos para libertar prisioneiros, interceptação de comboios e destruição de arquivos de cobrança de impostos, além da articulação entre diferentes quilombos e comunidades, funcionando como um "elo" vital para a sustentação da resistência.
- Fontes Históricas: Memória Oral vs. Registro Oficial Este conceito explora a dicotomia entre as fontes usadas para construir a história. A figura de Simeão é emblemática dessa tensão: ele é "invisível" nos documentos coloniais, sem "retratos" ou dossiês oficiais, mas sua história foi preservada com força por gerações através da memória oral das comunidades quilombolas. A aula evidencia que a ausência em um tipo de fonte não significa ausência na história.
- Liderança Comunitária Diz respeito a uma forma de autoridade legitimada pela comunidade, baseada no reconhecimento de habilidades e no compromisso com o coletivo. Simeão foi nomeado "Capitão de resistência" por seus pares quilombolas, um título que expressa sua liderança natural e estratégica, e não uma "patente oficial" concedida pela coroa.
- Ancestralidade e Educação Aborda a transmissão de saberes que integram diferentes visões de mundo. A educação que Simeão, junto de sua esposa Dandá, proporcionou a seus filhos exemplifica esse conceito, combinando a alfabetização formal ("ler com um padre progressista") com as tradições de matriz africana que sua mãe preservava em segredo e com estratégias de sobrevivência e leitura da natureza ("os mapas, os ventos, o som do mato").
Com essa base conceitual estabelecida, podemos nos voltar aos recursos práticos que darão vida a esta aula.
4. Recursos e Materiais Necessários
Para enriquecer a experiência de aprendizagem e promover uma imersão completa na história de Simeão Borges, a aula adota uma abordagem multimídia. A combinação de textos históricos, análise musical e atividades práticas permite que os estudantes se conectem com o tema por diferentes vias, estimulando tanto o raciocínio crítico quanto a sensibilidade.
- Cópias impressas dos textos: "Biografia" e "História" de Simeão Borges para todos os alunos.
- Letra da canção "Capitão Invisível" para todos os alunos.
- Acesso a um dispositivo de áudio para tocar a canção (pertencente ao projeto AfroEduca Sounds).
- Quadro branco ou projetor para anotações, registro de ideias e discussões coletivas.
- Materiais para as atividades práticas: papel, canetas, lápis de cor, mapas regionais (Bahia) para visualizar a rede de quilombos e a área de atuação de Simeão entre o Recôncavo e a Chapada Diamantina, e materiais de artesanato como cartolina, tecidos ou elementos da natureza para a criação de máscaras ou mantos.
A seguir, apresentamos a sequência detalhada de atividades que utilizarão esses recursos.
5. Sequência Didática Detalhada
A sequência foi projetada em etapas progressivas, partindo de uma sensibilização inicial que ativa os conhecimentos prévios dos alunos, passando por um aprofundamento analítico dos textos e da música, e culminando em atividades de expressão criativa e síntese do aprendizado.
5.1. Etapa 1: Sensibilização e Ativação de Conhecimentos Prévios (Aproximadamente 20 minutos)
O professor inicia a aula lendo a introdução do "AfroEduca Podcast" para contextualizar a proposta: "Aqui, transformamos histórias de resistência afro-brasileira em conhecimento vivo. (...) Porque aprender com música é lembrar com o coração.". Em seguida, lança um debate com a turma a partir de perguntas-chave:
- "Quais heróis e heroínas da história do Brasil vocês conhecem? Como vocês aprenderam sobre eles?"
- "O que vocês sabem sobre os quilombos? Quem eram seus líderes?"
- "Por que vocês acham que alguns heróis aparecem nos livros de história e outros não?"
5.2. Etapa 2: A Descoberta do Herói "Invisível" (Aproximadamente 30 minutos)
Nesta etapa, o professor distribui cópias dos textos "Biografia" e "História" de Simeão Borges e promove uma leitura compartilhada (em voz alta, com pausas para comentários). Após a leitura, a turma se divide em pequenos grupos para discutir e responder a questões analíticas que aprofundem a compreensão:
- Qual era a contradição de ser um "homem negro livre" no Brasil colonial, segundo os textos?
- Analise a importância estratégica de Simeão atuar como "elo" entre diferentes comunidades. O que isso significava para a resistência?
- Explique por que ele era chamado de "o capitão invisível". O que essa "invisibilidade" representa historicamente?
5.3. Etapa 3: A História Cantada – Análise da Canção (Aproximadamente 40 minutos)
Este é o momento central da aula. O professor toca a canção "Capitão Invisível" uma primeira vez, para apreciação sensorial. Na segunda audição, os alunos acompanham com a letra em mãos. A análise coletiva será guiada pela tabela abaixo, que conecta trechos da música, a análise didática fornecida e as habilidades da BNCC correspondentes.
Trecho da Letra | Análise Didática (Baseada nas Notas) | Habilidade BNCC Correspondente |
Verso 1: Nasceu livre mas cercado, / Entre o mato e o açoite calado. / Filho de vento e raiz, / Negro que nunca fugiu da cicatriz. | Introduz a contradição de ser livre num sistema que não reconhece a liberdade negra. 'Vento e raiz' simboliza sua ancestralidade indígena e africana. A 'cicatriz' revela que a dor coletiva também marca o corpo do livre. |
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Verso 2: Com Dandá fez seu quilombo, / Casa de reza, manto e rombo. / Criou filho com mapa e tambor, / Leu os sinais do tempo e da dor. | Apresenta o lar como núcleo de resistência e formação. A educação dos filhos inclui geografia da fuga ('mapa') e espiritualidade ('tambor'), demonstrando a função social e simbólica do espaço familiar. |
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Coro: Capitão invisível, guerreiro da noite, / (...) Não tem retrato, não tem prisão, / Só floresta, flecha e oração. | Reforça o mito oral: Simeão é lenda viva, invisível nos documentos, mas presente na memória. A ausência de “retrato” evidencia a invisibilização histórica. Suas armas são elementos da natureza e da fé, descritas como "armas sagradas". |
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Verso 3: Libertou gente da corrente, / Sabotou navio e sargento. / Não buscava medalha ou glória, / Queria o povo dono da história. | Descreve as ações diretas de sabotagem e libertação, como a emboscada de 1742 que libertou 17 escravizados. Mostra o altruísmo e a consciência política de Simeão: a liberdade como um bem coletivo, e não individual. |
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Verso 4: Entre palmeiras e barrancos, / Fez trincheira com os tamancos. / Não matou quem se rendeu, / Porque a liberdade nunca se vendeu. | Constrói uma imagem poética do combate e destaca a ética do guerreiro, que respeita a vida mesmo em confronto, valorizando o outro e um ideal de liberdade superior à vingança. |
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Ponte: Não teve nome nas cartas da corte, / Mas seu passo ecoa mais forte. / Capitão sem patente ou brasão, / Seu exército era o coração. | Ressalta a ausência nos registros oficiais e sua presença na memória do povo. A força de Simeão vem da legitimidade comunitária, e não da chancela institucional, apontando os silêncios da história oficial. |
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Refrão final: Capitão invisível, chama no chão, / Palavra que corre de mão em mão. / Simeão, voz do quilombo ancestral, / Presente em cada batalha real. | Propõe Simeão como um arquétipo do guerreiro coletivo, uma herança ancestral que permanece viva e inspira as lutas do presente. A metáfora da "chama" e da "palavra" reforça sua imortalidade simbólica. |
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6. Atividades Práticas Sugeridas (Pós-Análise)
Após a análise aprofundada, estas atividades visam consolidar o aprendizado, permitindo que os alunos expressem sua compreensão de forma criativa, crítica e pessoal, conectando a história de Simeão com suas próprias reflexões e realidades.
- Mapeando Heróis Invisíveis:
- Objetivo: Conectar a história de Simeão com a realidade local, valorizando a memória comunitária.
- Conexão Conceitual: Esta atividade aplica diretamente o conceito de "Fontes Históricas: Memória Oral vs. Registro Oficial", incentivando os alunos a se tornarem historiadores de sua própria comunidade.
- Instruções: Em grupos, os alunos deverão pesquisar figuras negras ou indígenas importantes na história de sua própria cidade, bairro ou estado que não são amplamente conhecidas. O resultado pode ser apresentado em um mapa interativo, um cartaz ou uma pequena exposição para a escola, apresentando essas figuras e suas histórias.
- Carta de Simeão Borges:
- Objetivo: Exercitar a empatia histórica e a escrita criativa, aprofundando a reflexão sobre os conceitos discutidos.
- Conexão Conceitual: Esta atividade mobiliza os conceitos de "Liderança Comunitária" e "Ancestralidade e Educação" para explorar a dimensão ética e filosófica da luta pela liberdade.
- Instruções: Individualmente, os alunos devem escrever uma carta fictícia de Simeão para seus filhos, explicando o que ele entende pela palavra "liberdade". A carta deve ser baseada nos valores, ações e saberes descritos em sua biografia (a luta coletiva, a conexão com a natureza, a importância da ancestralidade).
- Arte da Resistência:
- Objetivo: Explorar a dimensão estética e simbólica da cultura quilombola, traduzindo conceitos em expressão visual.
- Conexão Conceitual: Esta atividade explora a materialização da "Resistência Quilombola Estratégica", transformando táticas de luta e sobrevivência em arte.
- Instruções: Professor, releia este trecho da biografia para a turma: "A casa deles funcionava como ponto de apoio, onde se costuravam mantos de guerra...". Peça que os alunos imaginem que estão criando um manto ou máscara para o "Corpo Invisível de Defesa Negra". Eles podem criar máscaras ou desenhar mantos que representem a força, a camuflagem estratégica e a espiritualidade da resistência.
Estas atividades servirão como base para uma avaliação processual e significativa do aprendizado.
7. Avaliação da Aprendizagem
A avaliação será formativa e processual, com o objetivo de aferir o desenvolvimento do pensamento crítico, da empatia histórica e da capacidade de análise de fontes não-oficiais, em vez da simples memorização de fatos. O foco está na construção do conhecimento, na participação ativa e nas produções dos alunos ao longo de todas as etapas do plano de aula.
Os principais critérios de avaliação serão:
- Participação Qualificada: Avaliar o engajamento, a pertinência e a profundidade dos comentários dos alunos durante as discussões em grupo, especialmente nas etapas de sensibilização e análise dos textos.
- Análise Textual e Musical: Observar a capacidade dos alunos de conectar a letra da música com os fatos históricos e biográficos apresentados, utilizando a tabela de análise como referência para identificar símbolos, metáforas e críticas sociais.
- Produções Finais: Avaliar a criatividade, a coesão e a apropriação dos conceitos-chave (resistência estratégica, memória oral, etc.) nas atividades práticas escolhidas, seja no mapa de heróis locais, na carta de Simeão ou na produção artística.
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