Clementina de Jesus da Silva
Notas Didáticas Objetivo Geral: Proporcionar uma leitura crítica, histórica e simbólica da canção "Clementina, Voz de Mãe", articulando oralidade, cultura afro-brasileira e protagonismo feminino negro, como ferramenta de ensino de História, Música e Cultura nas séries finais do ensino fundamental e médio.
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Verso 1 – Voz que Vem de Lá “Veio de Valença a voz da senzala, Feita de saudade, feitiço e bengala.”
• Interpretação: A canção começa com uma forte referência geográfica e simbólica: Valença (cidade natal de Clementina) e a senzala (memória coletiva da escravidão). A “voz da senzala” resgata o canto como instrumento de sobrevivência, memória e comunicação entre os escravizados.
• Recursos didáticos: Trabalhar o conceito de memória coletiva e resistência cultural. Comparar a linguagem simbólica da música com fontes históricas sobre o papel das cantigas na senzala. “Carregava o canto que ninguém ouvia, Clementina, reza em forma de melodia.”
• Interpretação: Destaca o apagamento histórico e a invisibilidade social das vozes negras, especialmente femininas. A musicalidade de Clementina é descrita como “reza”, fundindo o sagrado com o estético. • Atividade proposta: Produção de texto poético ou dramatização sobre "vozes que não foram ouvidas". Estudo da religiosidade afro-brasileira e suas expressões musicais.
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Verso 2 – Boca de Tambor “Não aprendeu livro, mas sabia história, Cada nota sua trazia memória.”
• Interpretação: Valoriza o saber oral e a experiência vivida, em oposição ao conhecimento acadêmico formal. Clementina é uma griô, uma narradora do povo.
• Conexão BNCC: Competência geral 4 – conhecimento, e 6 – cultura digital/oralidade.
• Atividade: Comparar relatos orais com registros históricos em sala. Trazer depoimentos de pessoas idosas da comunidade. “Cantava o jongo, o ponto, o lamento, Negra griô, templo em movimento.”
• Interpretação: Enumera formas musicais tradicionais afro-brasileiras. Clementina é descrita como um “templo”, reforçando seu papel de portadora espiritual e cultural.
• Sugestão de atividade: Apresentação multimídia sobre o jongo, com vídeos e exemplos. Debate sobre o conceito de “corpo como território cultural”.
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Coro – Voz de Mãe, Voz do Povo “Ô Clementina, ô mãe de axé, Tua voz sobe onde o mundo não é.”
• Interpretação: Reconhece Clementina como “mãe de axé”, símbolo de espiritualidade e força ancestral.
• Atividade musical: Análise rítmica e melódica do refrão. Estimular os alunos a criar refrões que homenageiem outras figuras esquecidas da cultura negra. “Canta a dor que virou raiz, Canta a África que ainda diz.”
• Interpretação: A dor da escravidão se transforma em raiz identitária. Clementina representa uma África viva e falante no Brasil.
• Conexões interdisciplinares: História da África no currículo (Lei 10.639). Artes visuais: criar murais sobre "raízes africanas no Brasil".
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Verso 3 – Das Cozinhas aos Palcos “Lavava a roupa com voz no quintal, Depois foi chamada pra o palco central.”
• Interpretação: Atravessa sua trajetória: de empregada doméstica à artista consagrada. A força do cotidiano vira arte.
• Sugestão pedagógica: Debate sobre mobilidade social, racismo estrutural e invisibilidade das trabalhadoras domésticas negras no Brasil. “Não mudou o tom, nem vestiu vaidade, Só levou o povo à eternidade.”
• Interpretação: Clementina manteve sua essência. Sua arte não foi mercadoria, foi missão. “Eternidade” aqui é sinônimo de memória cultural coletiva.
• Atividade sugerida: Produção de podcast ou vídeo curto sobre mulheres negras que transformaram o cotidiano em arte.
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Ponte – O Canto que Cura “Era reza, era ferro, era flor, Era corpo que guardava tambor.”
• Interpretação: Uma síntese da espiritualidade (reza), resistência (ferro) e sensibilidade (flor) do corpo negro feminino. O tambor é metáfora da ancestralidade viva.
• Atividade interdisciplinar: Oficinas de ritmo corporal, com instrumentos ou com o próprio corpo. Discussão sobre o corpo como resistência e identidade. “No som da Clementina de Jesus, A pele negra acende a luz.”
• Interpretação: Subverte o estigma da pele negra como invisível ou marginal — aqui ela é fonte de luz, sabedoria e guia.
• Atividade de fechamento: Cartazes com frases afirmativas como “Minha pele acende luz” — foco em autoestima e identidade racial.
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Coro Final – Refrão de Ancestral “Vem Clementina, gira com Ogum, Gira no ponto, gira no drum.”
• Interpretação: Associa Clementina ao orixá Ogum (força, coragem, caminho). A música se torna roda ancestral, em que o tempo gira e os espíritos dançam.
• Sugestão pedagógica: Pesquisa sobre os orixás na cultura afro-brasileira. Trabalhar com respeito e contexto histórico (Candomblé e sua importância cultural). “Tua voz velha é semente nova, Tua garganta ainda comanda a roda.”
• Interpretação: A velhice é potência. A voz de Clementina planta futuro. Ela continua sendo referência.
• Atividade final: Criar um "jornal da ancestralidade", onde os alunos escrevem sobre personagens invisibilizados que “comandam a roda” até hoje.
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Encaminhamentos pedagógicos adicionais
• Disciplinas envolvidas: História, Língua Portuguesa, Artes, Música, Sociologia.
• Sugestão de avaliação: Apresentações orais, redações reflexivas, análises de letra, produções artísticas.
• Referências sugeridas: Documentário “Clementina de Jesus – Rainha Quelé”; álbuns “Canto dos Escravos” e “Marinheiro Só”.
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