Tia Marcelina de Ogum
Biografia
Tia Marcelina de Ogum nasceu em meados do século XIX no Brasil, em uma época marcada pela escravidão e pelo racismo institucional. Negra, descendente de africanos escravizados, cresceu nas periferias de São Paulo, onde desde cedo se envolveu com práticas religiosas de matriz africana. Pouco se sabe sobre seus pais ou sobre sua infância, mas sua trajetória se confunde com a história da resistência negra e do candomblé paulista.
Reconhecida como uma das primeiras mães-de-santo do candomblé em São Paulo, Tia Marcelina era sacerdotisa de Ogum. Seu terreiro, fundado nas primeiras décadas do século XX, foi um dos espaços mais importantes de preservação da religiosidade afro-brasileira no sudeste.
Ali, formou gerações de filhos e filhas de santo, manteve viva a oralidade, os rituais, os cânticos e o respeito pelos orixás. Firme, corajosa e espiritualizada, era conhecida pelo seu temperamento forte e sua sabedoria ancestral. Tia Marcelina não teve filhos biológicos, mas considerava todos os seus filhos e filhas de santo como parte de sua família espiritual.
Era uma figura respeitada não apenas dentro da comunidade afro-religiosa, mas também por artistas, músicos e intelectuais que a procuravam em busca de conhecimento e proteção. Até o fim da vida, dedicou-se ao culto de Ogum e à luta pela dignidade do povo negro.
Enfrentou a intolerância religiosa, a marginalização e a repressão policial com a força de quem sabia que carregava nas mãos o ferro da justiça e no peito a fé dos ancestrais.
Faleceu na década de 1940, deixando um legado espiritual profundo e incontornável.
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