Acotirene

 



Acotirene

Acotirene foi uma mulher negra de origem africana, considerada uma das figuras fundadoras do Quilombo dos Palmares, em Alagoas. Não há registros precisos sobre sua data de nascimento ou morte, mas sabe-se que sua atuação remonta ao século XVI, período de intensa escravização no Brasil colonial.

 Sua liderança e sabedoria espiritual foram fundamentais para reunir os primeiros fugitivos e organizar as bases sociais que sustentariam Palmares por mais de um século. Reverenciada como uma espécie de matriarca, Acotirene possuía conhecimentos profundos sobre organização comunitária e práticas de resistência herdadas da África.

 Ela orientava as decisões do grupo, tanto espiritualmente quanto estrategicamente, desempenhando um papel essencial na formação da identidade coletiva dos primeiros quilombolas. A tradição oral conta que foi sob a orientação de Acotirene que se estabeleceram os primeiros acordos de convivência, plantação coletiva e defesa mútua entre os refugiados.

 Sua capacidade de unir diferentes povos, línguas e religiões em torno de um propósito comum foi uma das chaves para a sobrevivência e expansão de Palmares. Além de seu papel organizador, Acotirene é lembrada como símbolo da luta contra a desumanização imposta pela escravidão. 

Ela teria sido uma das responsáveis por transmitir valores de dignidade, liberdade e solidariedade para as futuras gerações de líderes quilombolas, como Ganga Zumba e Zumbi. Embora seu nome ainda não seja tão difundido quanto o de outros personagens históricos, Acotirene representa o espírito indomável que fundou não apenas Palmares, mas toda a tradição de resistência negra no Brasil. Sua memória permanece viva como inspiração de coragem e sabedoria ancestral.

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